A loura mais cultuada do cinema tem relançados 20 filmes, além de publicações que revelam segredos da estrela que nunca se apaga
Nunca foi explicado com precisão o que houve na manhã de 5 de agosto de 1962, numa mansão localizada em Brentwood, Califórnia (EUA). Fato é que, depois dessa data, prestes a completar 50 anos, nasceu um mito, talvez o maior ícone do cinema do século 20. Até hoje, ninguém conseguiu reunir ao mesmo tempo tanto carisma, sedução, beleza, graça e poder como Marilyn Monroe. %u201CNaquela época, Marilyn era a estrela mais brilhante. Tinha um glamour, um sex appeal, um fascínio cinematográfico sobre as plateias, que impressionavam e ainda impressionam. Até quem não gostasse dela reconhecia sua popularidade e prestígio%u201D, afirma o músico e produtor musical do programa Cinema songs, da Rádio Guarani FM, Bob Tostes. Mesmo depois de sua polêmica morte por overdose de remédios, na data citada (não foi comprovado se por acidente, suicídio ou assassinato), Norma Jeane Mortenson jamais saiu de cena. Além de ainda influenciar a moda, o comportamento e o próprio cinema e a cultura pop, o que não faltam são produtos que estampam sua foto em camisetas, bolsas, canecas, relógios e afins. Sua imagem é constantemente comercializada mundo afora.
Para o historiador, professor de história do cinema na Escola de Belas-Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutor em história pela Universidade do Estado de São Paulo (USP) Luiz Nazário, Marilyn Monroe tinha sensualidade à flor da pele, beleza singular, caráter doce e inteligência sensível. E, assim como Brigitte Bardot, a nudez não a embaraçava e parecia fazer parte de seu estilo de vida.”Essa liberdade expressiva do corpo, seja espontânea ou profundamente estudada até parecer espontânea, é o que distinguia Marilyn das demais estrelas de sua geração, que seguiam, dentro e fora das telas, em sua vida pública (não falo da vida privada!), o rígido código moral dos estúdios norte-americanos. Já Marilyn, fora dos estúdios, emulava sua imagem sensual em sessões fotográficas ousadas, publicadas em revistas e álbuns de arte, e que, mais do que seus filmes, onde nunca apareceu nua, projetaram sua imagem de símbolo sexual”, frisa o professor.
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| Leitora voraz de grandes autores, Marilyn Monroe também escreveu poesias. Está tudo documentado no livro Fragmentos – Poemas, anotações íntimas, cartas |
Em evidência No ano em que se completam os 50 anos da morte da diva loura, vários eventos e lançamentos estão sendo promovidos para lembrar o mito Marilyn Monroe. A Twentieth Century Fox lançou box com 13 títulos estrelados pela atriz e uma coleção, Diamante, em dois volumes, com sete títulos cada. Trêileres, galeria de fotos, documentários e cenas de bastidores estão presentes nos DVDs que compõem o box e a coleção.
Vários livros também estão pipocando no mercado. Um deles, Fragmentos – Poemas, anotações íntimas, cartas, publicado pela Tordesilhas, é organizado pelo francês Bernard Comment e pelo norte-americano Stanley Buchtal. O livro traz preciosa seleção de manuscritos de Marilyn Monroe, inclusive poemas escritos por ela. A coletânea revela outro lado da atriz, leitora voraz de grandes autores como Gustave Flaubert, Samuel Beckett, James Joyce, Joseph Conrad, Ernest Hemingway e Albert Camus.
Em Os últimos anos de Marilyn Monroe – A verdadeira e chocante história (Benvirá), o biógrafo Keith Badman investiga os derradeiros anos da estrela, investigando o que realmente ocorreu no fatídico dia da morte da estrela. Já em Minha semana com Marilyn, o escritor britânico Colin Clark relata detalhes sobre a breve e intensa aventura amorosa que teve com a atriz californiana durante as filmagens de O príncipe encantado. O livro deu origem ao filme Sete dias com Marilyn, estrelado por Michele Williams, recentemente em cartaz na cidade.
Outro lançamento deste ano é o seriado Smash, que vai ao ar todas as quartas, às 23h, no Universal Channel (TV a cabo). A atração conta a história da construção de um musical em homenagem a Marilyn Monroe e acaba de ganhar mais uma temporada.
A diva norte-americana também estampa o cartaz comemorativo dos 65 anos do Festival de Cinema de Cannes, que está sendo realizado até o dia 27; e ainda vai ganhar, no segundo semestre, coleção especial de maquiagem desenvolvida pela marca canandense MAC. Serão aproximadamente 30 produtos, entre sombras, batons (seu famoso batom vermelho, inclusive), esmaltes e delineadores.
Ícone do século 20
Marilyn Monroe, nome artístico de Norma Jeane Mortenson, nasceu em Los Angeles em 1º de junho de 1926 e morreu na mesma cidade, em 5 de agosto de 1962. É considerada uma das mais famosas estrelas de cinema de todos os tempos, símbolo de sensualidade e ícone de popularidade no século 20. Foi casada três vezes, chegou a ganhar o Globo de Ouro de melhor atriz pelo filme Quanto mais quente melhor. Uma das mais célebres performances de Marilyn foi o Parabéns pra você, cantado de maneira sensualíssima para o presidente John Kennedy, no Madison Square Garden, em Nova York. O fato reforçou rumores de que ambos teriam sido amantes. Aos 36 anos, a diva faleceu enquanto dormia em sua casa em Brentwood, na Califórnia. A notícia foi um choque, propagado pela mídia, explorando sobretudo o caráter misterioso em que o fato se deu, prevalecendo a versão oficial de overdose pela ingestão de barbitúricos.
Uma estrela solitária
Ser cultuada cinco décadas depois de seu desaparecimento é mais uma prova de como Marilyn Monroe era especial. É o que ressalta Bob Tostes, músico e produtor musical do programa Cinema songs, da Rádio Guarani FM. Ser ainda inspiração para filmes, seriados, livros e exposições tanto tempo depois, não é para qualquer um. No entanto, Bob Tostes acredita que, passados 50 anos, ficou provado como ela também era uma atriz diferenciada, apesar de, naquela época, ter sofrido críticas com relação ao seu talento na arte de interpretar. “Quando viva, ela era olhada até com certo desprezo, chamada de loura burra, e os próprios estúdios cinematográficos fabricaram essa ideia. MM era sim uma mulher muito bonita, um símbolo sexual, mas era uma atriz muito sensível. E isso fica claro quando você assiste aos seus filmes hoje. Marilyn era uma comediante e uma atriz dramática muito interessante”, constata o produtor musical.
Ele cita alguns bons exemplos de grandes interpretações da diva loura, que originalmente era ruiva, como Quanto mais quente melhor (1959), O pecado mora ao lado (1955), o musical Adorável pecadora (1960), além de Nunca fui santa (1956), Os desajustados (1961) e Torrentes de paixão (1953), que, segundo Bob Tostes, acabou marcando a imagem cinematográfica de MM e foi, inclusive, imortalizada nos silkscreens coloridos de Andy Warhol.
“Vários colegas e diretores que conviveram com Marilyn Monroe, principalmente na fase final da carreira, quando ela não estava bem, tomando muitos remédios e esquecendo as falas dos filmes, costumavam dizer que quando iam assistir à cena pronta ficavam impressionados. Porque, se na hora de gravar parecia que tudo ia ficar péssimo, com o filme concluído a impressão era de que as câmeras tinham um caso de amor com aquela mulher. Quando ela aparecia na tela, tudo se iluminava”, afirma.
O professor de história do cinema da Escola de Belas-Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Luiz Nazário também ressalta as qualidades dela como atriz e acredita que não só o carisma e a sedução de Marilyn Monroe são inexplicáveis, mas nenhum carisma e nenhuma sedução têm explicação racional. “Apenas sentimos tudo isso. Para que uma beleza seja perfeita, ela precisa, inclusive, ser imperfeita. Uma beleza perfeita produziria mais incômodo do que encanto. Seria uma beleza de plástico, não uma beleza humana. Há, aliás, todo um lado intelectual de Marilyn, que amava a literatura e a poesia, vivia lendo e tinha uma imensa biblioteca, que é geralmente negligenciada nas apreciações sobre ela”, destaca.